7 de setembro de 2012

Fenabrave confirma recorde histórico em vendas de carros em agosto


Com IPI baixo, foram emplacados 405.518 automóveis e comerciais leves. Somando caminhões e ônibus, nº chega 420.101 veículos, outro recorde.



A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) confirmou nesta terça-feira (4) que as vendas de veículos (inclui automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) tiveram o melhor mês da história da indústria automobilística. A marca recorde é de 420.101 unidades e representa aumento de 15,3% sobre julho (364.201 unidades) e de 28,3% em relação a agosto do ano passado, com 327.360.

O resultado foi impulsionado pelas vendas de carros (automóveis e comerciais leves), também históricas, que somaram 405.518 emplacamentos em agosto, alta de 15,4% sobre julho, graças ao desconto do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados). Este também foi o melhor mês de todos os tempos em vendas para o segmento, superando dezembro de 2010, segundo a Fenabrave, quando foram emplacados 361.197 carros.

O novo patamar de vendas já havia sido adiantado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na última sexta (31), e só foi atingido por causa do desconto no IPI determinado pelo governo em 21 de maio passado e, agora, adiado até o fim de outubro. A medida visa manter a retomada do consumo e dos investimentos por parte das montadoras e fornecedores de autopeças. A Fiat também havia antecipado o volume recorde para o mercado brasileiro.

"Foi um mês surpreendente. Quando desonera o consumo, o mercado reage", afirma o presidente da Fenabrave, Flavio Meneghetti. "Obviamente que houve uma antecipação de compras, mas ainda não temos como mensurar o quanto. Mesmo assim, quem comprou o carro há três anos, hoje começa a trocar o carro", pondera Flavio Meneghetti.
De acordo com Meneghetti, além da ajuda da redução do imposto, o setor foi beneficiado pela melhora "substancial" da oferta de crédito. "Antes tínhamos de 30% a 40% de aprovação de crédito. Hoje, a faixa é de 50% a 60%. A qualidade do crédito está boa. Ofertas de 60 vezes sem juros não vamos mais ver."

Caminhões e ônibus
Já o setor de caminhões teve alta de 5,9% em agosto, somando 11.360 unidades. As vendas de ônibus apresentaram crescimento de 54,8% sobre o mês anterior, com 3.223 unidades. Na análise da Fenabrave, o que mais afetou o setor de caminhões foi a antecipação "surpreendente" de compra. "Isso foi o que pesou de verdade, nem foi o crescimento mais lento do PIB do país." Segundo Meneghetti, o setor tende a se recuperar.


2,5 milhões de veículos no acumulado
De janeiro a agosto, o setor soma 2.501.116 veículos vendidos, aumento de 5,5% sobre 2011. Por segmento, o de automóveis e comerciais leves soma 2.389.252 unidades — aumento de 6,97% sobre o mesmo período do ano passado. O crescimento é justificado pelo incentivo ao consumo, o que inclui, além do desconto do IPI, o aumento do estímulo de crédito no sistema financeiro, mesmo com patamar de inadimplência alto para o setor.


Em sentido oposto, o segmento de caminhões passa por dificuldades, com queda de 20,1% no acumulado, de 114.768 unidades para 91.623 unidades. Ele tem comportamento totalmente ligado ao reflexo da economia do país, que apresentou crescimento do PIB abaixo do esperado nos últimos meses. Além disso, no ano passado, boa parte das vendas de veículos pesados previstas para este ano foi antecipada em 2011, para evitar gastos adicionais com produtos mais caros. Isso porque, a partir deste ano, entrou em vigor a nova exigência ambiental que obriga motores que veículos com motor a diesel utilizem o padrão Euro 5, menos poluente. Para atender a exigência, os caminhões ganharam novas tecnologias, porém elas encareceram os produtos.

O segmento de ônibus, muito suscetível à sazonalidade, registra queda de 9,3% no acumulado do ano, com 20.241 vendidas entre janeiro a agosto deste ano contra 22.320 no mesmo período do ano passado.

Gol mantém a liderança
O compacto Volkswagen Gol (incluindo o G4) continua a ser o modelo mais procurado no Brasil. Somente em agosto, foram comercializadas 32.633 unidades do modelo contra 30.373 do Fiat Uno (inclui o Mille). Nas vendas acumuladas de janeiro a agosto, o Gol soma 188.592 unidades, contra as 177.349 do Uno. O terceiro lugar é do Fiat Palio, com 117.100 unidades.



Ranking das montadoras
No segmento de automóveis e comerciais leves, a Fiat liderou o mês de agosto com 98.212 unidades vendidas e 24,22% do mercado brasileiro. Volkswagen fica em segundo lugar, com 88.764 carros (21,89%). Em seguida vem a General Motors, com 75.864 unidades (18 71%), seguida da Ford (7,66%), Renault (6,88%), Honda (4,21%), Toyota (2,5%), Nissan (2,48%), Peugeot (2,15%) e Hyundai (2,13%).


No acumulado de janeiro a agosto, o quadro muda um pouco: Nissan está à frente da Toyota e Hyundai, da Peugeot. Assim, o ranking fica com a liderança da Fiat, com 544.069 unidades emplacadas e 22,77% de participação no mercado brasileiro, seguida de Volkswagen (21,07%), GM (17,81%), Ford (9,01%), Renault (6,75%), Honda (3,69%), Nissan (3,35%), Toyota (2,73%), Hyundai (2,5%) e Peugeot (2,09%).

Segmento de motos e de carros usados em crise de crédito
As vendas de motos, contadas em separado, chegaram a 140.641 unidades em agosto. Houve alta de 1,56% sobre o mês anterior, porém queda de 22,4% na comparação com agosto de 2011. No acumulado do ano, 1.127.736 motos foram emplacadas, baixa de 10,4% sobre o mesmo período do ano passado, com 1.259.754 unidades.

Embora o crédito esteja favorável para a compra de carros novos, os setores de motos e de carros usados sofrem com as restrições. Segundo o presidente da Fenabrave, a aprovação de crédito para automóveis usados é de 20% a 30%. "Antes, eram 5 mil as empresas que fecharam, hoje este número dobrou. A crise levou a perda de cerca de 40 mil postos de trabalho", alerta Meneghetti.

O empresário afirma que a participação do financiamento no setor de motos é de 15%. "Apenas uma marca tem consórcio robusto para não sofrer com a restrição."
Para a Fenabrave, a saída para os dois segmentos é a liberação de compulsório para o financiamento de motos e carros usados. "Pedimos isso ao governo, para diminuir o custo do crédito", afirma o presidente da entidade.

Projeções
Diante do patamar recorde e dos últimos anúncios do governo de estímulo ao consumo, a Fenabrave alterou suas projeções. O segmento de automóveis e comerciais leves deve crescer 8,05%, para 3.701.235 unidades.

Por outro lado, o de caminhões deve ter queda de 19%, com 139.853 unidades emplacadas no ano. O segmento de ônibus deverá ter queda de 8% (37.529 unidades), segundo a entidade. Por fim, o setor de motocicletas deverá enfrentar queda de 12%, para 1.707.754 unidades.


Fonte: Canal Dana

PIB cresce 0,4% no 2º trimestre de 2012


PIB em valores correntes alcançou 1,10 trilhão de reais no segundo trimestre
O crescimento da economia brasileira no segundo trimestre desse ano foi de 0,4% em relação ao primeiro trimestre de 2012, de acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE.
Na comparação com o primeiro trimestre do ano, o destaque positivo foi a Agropecuária, que teve crescimento de 4,9% no volume do valor adicionado. Nos Serviços houve aumento de 0,7%, enquanto que a Indústria registrou queda de 2,5% - ela havia sido destaque no primeiro trimestre.
Pela ótica do gasto, a despesa de consumo do Governo e a das famílias cresceram, respectivamente, 1,1% e 0,6% no segundo trimestre de 2012. Já o outro componente da demanda interna, a formação bruta de capital fixo, teve queda de 0,7%.
No que se refere ao setor externo, as importações de bens e serviços cresceram 1,9%, enquanto que as exportações tiveram queda de 3,9%.
Na comparação com o segundo trimestre de 2011, o PIB cresceu 0,5%. No primeiro semestre, o PIB apresentou aumento de 0,6% em relação ao mesmo período de 2011. No acumulado nos quatro trimestres terminados no segundo trimestre de 2012 (12 meses), a expansão foi de 1,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.
O PIB em valores correntes alcançou 1,10 trilhão de reais no segundo trimestre. A taxa de investimento no período foi de 17,9% do PIB, inferior a do mesmo período do ano anterior (18,8%). A redução foi influenciada, principalmente, pela queda, em volume, da formação bruta de capital fixo no trimestre, segundo o IBGE. A taxa de poupança ficou em 16,9% no segundo trimestre de 2012 (ante 19,0% no mesmo trimestre de 2011).
Período/Indicadores
PIB
Agro
Indústria
Serviços
FBCF
Cons. Famílias
Cons. Governo
2º tri/1º tri
0,4
4,9
-2,5
0,7
-0,7
0,6
1,1
2º tri 2012/2º tri 2011
0,5
1,7
-2,4
1,5
-3,7
2,4
3,1
acum em 4 tri/ 4 tri imediatamente anteriores
1,2
1,5
-0,4
1,6
-0,3
2,5
2,2
Acumulado 2012/ acum 2011
0,6
-3,0
-1,2
1,5
-2,9
2,5
3,2
Valores correntes no trimestre (R$ )
1.101,6 bilhões
66,2 bilhões
241,3 bilhões
630,7 bilhões
196,9 bilhões
672,1 bilhões
228,5 bilhões

Expectativas
A expectativa - dada pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), um indicador do BC considerado uma prévia do PIB – era de que a economia cresceria 0,38% no segundo trimestre, na comparação com os três meses anteriores. O HSBC e o Itaú-Unibanco haviam divulgado que esperavam um crescimento de 0,5% da economia no segundo trimestre em relação ao primeiro.
Com ajuste, o crescimento do PIB do primeiro trimestre em relação ao imediatamente anterior passou de 0,2% para 0,1%.
Para o ano, o governo projetava inicialmente um PIB de 4,5%, mas já diminuiu a projeção para 3% – e depois voltou atrás. Ontem, o ministro disse que 2012 é o "pior ano" da crise global, mas garantiu que a economia nacional "resiste" e conta com bases sólidas para alcançar um crescimento próximo a 4%.
O boletim Focus dessa semana indica que o mercado espera um crescimento de 1,73% do PIB em 2012. O ministro prevê que a economia brasileira acelerará nos dois últimos trimestres graças a diversas decisões do governo
O governo vem lançando vários pacotes para estimular a economia, como o Programa de Concessões de Rodovias e Ferrovias e a renovação da redução de IPI para carros e linha branca, anunciada nessa semana.
Em 2011, a economia brasileira cresceu 2,7%. O resultado foi pior que o esperado pelo governo e muito inferior ao do crescimento observado em 2010, que havia sido de 7,5%. 
Fonte: Exame

Sobre o lucro das montadoras (ou “a regra do jogo”) - Por Glauco Lucena


O assunto do momento é o preço dos carros 0 km. O tema é complexo, envolve a carga absurda de impostos e o tal “Custo Brasil”, outra caixa preta da qual ainda falaremos. Mas o objetivo deste post é tratar do polêmico lucro das montadoras, alvo de muitos protestos. Não sou economista, muito menos defensor de multinacionais. Quero carros melhores e mais baratos para mim e para todos. Mas algumas reflexões precisam ser feitas, para que os protestos não se percam pela falta de bons argumentos.
Reportagem de capa desta terça-feira (29/8) do jornal O Globo mostrou estudos que indicam que a média de lucro das montadoras no Brasil é de 10%, o dobro da média mundial. Não sei exatamente se a média é essa mesmo, pois a margem de lucro varia muito de carro para carro. Mas o fato é que 10% me parece uma margem até razoável.
Explico: qualquer pessoa que fizer uma aplicação no Brasil espera ter rendimento um pouco acima da taxa Selic, que nesta quarta-feira caiu para 7,5% ao ano, mas até alguns meses atrás estava na faixa de 12%. Da mesma forma, qualquer comerciante, empresário ou acionista de grande empresa espera uma margem de lucro um pouco acima do que o governo federal paga pelo dinheiro (os tais 7,5% da Selic). Caso contrário, de que serviria investir e correr riscos?
Fabricantes não fazem carros por diversão. Para o investimento no Brasil valer a pena, a margem de lucro tem de ser superior a 7,5%. Essa é a nota de corte hoje Nos Estados Unidos, a taxa de juros está na faixa entre 0% e 0,25% ao ano. Logo, margens de lucro de 5% são muito interessantes para as indústrias de lá. Por isso é tão complicado comparar margens de lucro entre países com taxas de juros tão distintas. Outro ponto: marcas multinacionais vão buscar maiores lucros em mercados em expansão (como Brasil), com demanda maior que a oferta, e não nos países em recessão, com baixa procura e alta taxa de desemprego.
Fabricantes não fazem carros por diversão. Para o investimento no Brasil valer a pena, a margem de lucro tem de ser superior a 7,5%
Mais um aspecto. Fabricante, por lei, não pode vender carro, apenas repassa para a rede de concessionários. Qualquer fabricante de peça ou montadora precisa faturar algo em torno de 10% sobre seu custo operacional. Da mesma forma, o concessionário (ou padeiro, ou dono de loja…) precisa de um rendimento nessa faixa para seu negócio ser mais interessante do que simplesmente deixar o dinheiro quietinho numa aplicação. Obviamente a concessionária não consegue colocar 10% de margem sobre os carros que vende, ou eles ficariam ainda mais caros do que são. Ela procura faturar mais nas vendas de peças, acessórios, serviços, e, principalmente, fazendo acordos com os bancos que financiam os carros, ou com seguradoras. Você abriria uma concessionária se fosse para faturar menos do que deixando o dinheiro rendendo num fundo de investimento?
Outro ponto: cada carro tem sua margem de lucro possível, sobretudo num mercado com tantos competidores. Nos carros pequenos a margem é menor, ganha-se no volume. Nos carros médios e luxuosos, com maior valor agregado, onde se vende também a imagem de prestígio, é possível praticar margens maiores. Em carros recém-lançados, os preços são maiores, mas a fábrica ainda está pagando pelo custo de desenvolvimento. Nos carros há muito tempo no mercado, o projeto já se pagou, e é possível lucrar mesmo vendendo com desconto.
Enfim, é complicado analisar os lucros. Em outros ramos do mercado (computadores, por exemplo), as margens são muito maiores e pouca gente reclama. O problema dos carros e dos imóveis é que o desembolso é muito maior, dói mais no bolso.
O fato é que só há três maneiras de fazer os preços caírem. Um é reduzindo a carga tributária, o que o governo reluta muito em fazer. Só o faz de vez em quando para estimular a economia e animar o PIB. Para quem não sabe, a economia brasileira se apoia em um tripé: agronegócio, construção civil e setor automotivo. Tenha certeza, o governo fará qualquer coisa para não deixar a peteca cair num desses três setores.
O segundo jeito de fazer os preços caírem é reduzindo a demanda, o que só acontece em mercados recessivos, como na maioria dos países europeus hoje em dia. É um cenário que ninguém quer para o Brasil, naturalmente.
A terceira via é estimular a competição. E nisso, o governo falhou ao aumentar exageradamente a tributação sobre os carros importados. Sem a concorrência mais efetiva de produtos chineses, coreanos e outros, as montadoras aqui instaladas conseguiram certo alívio em suas margens.
Que os fabricantes sejam cobrados pela qualidade dos produtos, por tecnologias de segurança, talvez até por preços um pouco melhores, muito bem! Mas sem uma série de conjunções favoráveis, os preços nunca cairão significamente, por mais que as pessoas (justa e legitimamente) protestem nas poderosas redes sociais.

8 de fevereiro de 2012

Vertis acelera crescimento da Iveco no Brasil

Vertis reflete o crescimento gradual da Iveco no mercado brasileiro
O consumidor de automóveis não é tolo, mas às vezes acredita em um lindo rostinho. Carros com visual lameiro ou design esportivo podem seduzir mais do que aspectos cruciais em um veículo, como dirigibilidade ou segurança. Entre os compradores de modelos comerciais, a conversa é outra. O que importa é a confiabilidade e o custo/benefício que uma marca oferece para cada frotista. Por isso, leva muito tempo para uma fabricante como a Iveco crescer nesse cenário. Sem a tradição da Volkswagen ou da Mercedes-Benz, a marca italiana trilha o seu caminho de segmento em segmento. Devagar – como a sua "dona", a Fiat, fez no mundo dos automóveis. A última investida foi no segmento de médios com o Vertis, modelo feito inteiramente no Brasil e que teve lançamento no fim de 2010.

Em termos de vendas, não se pode dizer que o desempenho do Vertis foi dos melhores. Afinal, em todo o ano de 2011 ele teve 692 unidades comercializadas, enquanto o líder do segmento, o Volkswagen Worker, apenas na sua versão 13.180, vendeu 4.870 exemplares. Ainda na frente do caminhão da Iveco estão o Mercedes 1318 e o Ford Cargo 1317 e 1517. Mas, como esse é o primeiro representante da marca entre os médios no Brasil, o investimento é a médio e longo prazo.
O Vertis foi desenvolvido por completo no Centro de Desenvolvimento de Produto da fabricante em Sete Lagoas, interior de Minas Gerais, e conta com duas versões. A de entrada é a 90V16. Com Peso Bruto Total de 9,3 toneladas, ela é equipada com um motor de quatro cilindros em linha com turbocompressor, injeção direta common-rail e 3,9 litros de capacidade cúbica. Ele pode gerar 154 cv a 2.500 rotações e torque máximo de 54 kgfm entre 1.400 e 2 mil rpm. Esta configuração recebe apenas a cabine curta, mas tem três diferentes opções de entre-eixos: 3,30 metros, 3,80 metros e 4,35 metros.

A topo de linha é a 130V18, que pode receber tanto a cabine curta, como a estendida. O PBT máximo é de 13,3 toneladas e as distâncias entre-eixos são de 4,35, 4,75 e 5,10 metros. Sob o capô fica o mesmo propulsor de 3,9 litros, mas agora retrabalhado para gerar 173 cv e 60,1 kgfm disponíveis nas mesmas faixas de giro. A transmissão é sempre uma manual de cinco velocidades feita pela alemã ZF com comando hidráulico.
Na cabine, a Iveco aposta na ergonomia. O banco do motorista é individual, com um duplo ao lado para levar ajudantes. Entre os equipamentos de série, o Vertis tem tomada 12V, cinto de segurança de três pontos, apoios de cabeça nos bancos, ventilação com aquecimento e assoalho forrado com material sintético. Rádio/CD/MP3, ar-condicionado, vidros elétricos e preparação para tomada de força ficam entre os opcionais.
Uma das principais contribuições da fábrica de Sete Lagoas ao modelo foi o desenho. Quando comparado com os outros caminhões da própria Iveco, o Vertis parece realmente mais moderno. As linhas "quadradonas", muito simplórias foram abandonadas por um desenho mais fluido. Os faróis tem a parte superior delineada por uma leve curva e, entre eles, uma grade bipartida traz um formato de "V". A pintura em dois tons ajuda a dar um toque mais robusto para o médio da Iveco. Tipo de "pitaco" de uma marca que começa a entender as sutilezas do mercado nacional.

Fonte:Auto Press



























Retrospectiva 2011 - Caminhões

Em 2011, fabricantes de caminhões investiram pesado para se adequar às novas leis ambientais

O mercado de caminhões passou por uma revolução em 2011. Como todos os fabricantes tiveram de se adequar às normas de emissões do Proconve P7 – o equivalente ao padrão Euro 5 europeu – poucas vezes inovações tecnológicas tão importantes foram introduzidas de uma só vez. E a maioria das marcas aproveitou a transformação obrigatória da gama de motores, que entra em vigor no primeiro dia de 2012, para reformular as suas linhas. Não é para menos. O crescimento econômico brasileiro continua na boleia do modal rodoviário e, de janeiro e novembro deste ano, foram vendidas 188.222 unidades entre caminhões e ônibus. Em todo o ano de 2010 foram 185.950 unidades vendidas. Os bons números atraíram investimentos industriais. Tanto de empresas que já atuam no país, quanto de estreantes como a holandesa DAF e as chinesas Sinotruk e Foton.

A apoteose desta transformação no mercado nacional foi a 18ª edição da Fenatran – principal evento de transportes da América Latina –, que aconteceu em outubro. O evento bienal confirmou o bom momento do mercado nacional e mobilizou 365 marcas e mais de 55 mil visitantes. É claro que as grandes novidades ficaram por conta dos sistemas de adequação às novas normas de emissões. A maior parte das fabricantes optou pelo SCR, que injeta pequenas quantidades de Arla 32 junto aos gases poluentes no catalisador, para transformar parte dos gases tóxicos em nitrogênio e vapor de água, inofensivos para o meio ambiente. Outra alternativa foi a adoção do sistema EGR, que recircula os gases criados na combustão dentro do catalisador, o que reduz a emissão de poluentes.

No segmento de extrapesados, novidades de peso. Entre elas, a chegada de uma nova marca: a MAN. A empresa alemã, que antes já atuava no Brasil com a marca Volkswagen, apresentou a primeira linha de caminhões em seu nome, a TGX. A fabricante também apresentou o pacote Advantech para todos os caminhões da Volks, que tiveram mudanças nas cabines e novos dispositivos eletrônicos. A MAN adotou as duas tecnologias, a EGR e a SCR, dependendo do modelo. No total, a Volkswagen apresentou 25 novos modelos em 2011. De olho na concorrência, a Mercedes mostrou o Actros, que passará a ser produzido no Brasil a partir de janeiro de 2012. O gigante de 456 cv passará a contar com câmbio automatizado PowerShift 2 de 12 marchas, sem pedal de embreagem e com sensor de inclinação da via. Outra novidade entre os extrapesados foi o lançamento do Stralis Active Space, da Iveco. O modelo, como o nome sugere, conta com amplo espaço da cabine e um painel exclusivo.

Focada nos pesados, a sueca Volvo apresentou os modelos 2012 das linhas FH, VM, FM e FMX. Todos os motores ganharam 20 cv de potência e melhora no consumo de combustível. A também sueca Scania – que atua no mesmo segmento – finalmente anunciou que irá trazer ao Brasil a sua plataforma mundial de motores, com novos 9 e 13 litros, que vai equipar o novo V8.


A Ford, por sua vez, atua em um leque mais amplo. A marca apresentou, em março, a nova linha Cargo, que se estende dos pesados aos médios e leves. Os norte-americanos ainda prometem invadir o segmento dos extrapesados no ano que vem. Os 12 modelos da linha 2012 terão três opções motores – todos Cummins com sistema SCR – de 4.5, 6.7 e 8.9 litros. Além da mecânica atualizada, a nova linha recebeu melhorias no acabamento interno e novo design. A International, que volta a vender no Brasil, apresentou o 9800i. E a DAF mostrou os modelos LF, CF e XF, sendo o maior deles o pesado XF105, com motor 12.9 litros, seis cilindros e 340 cv.


O mercado de caminhões leves ficou cheio de novidades em 2011. A Mercedes chegou com a linha Accelo, com as versões 815 e 1016, com capacidade de carga bem maior que o antecessor, o 710. A marca chinesa Changan mostrou o MiniStar CE e a Hyundai apresentou a linha HD, que chegou ao mercado em abril. São veículos montados sobre o mesmo powertrain, mas com tamanhos diferentes. O HD78 tem 6,7 metros de comprimento e capacidade de carga de 4.650 kg, enquanto o HD65 tem 6,17 metros e disposição para levar de 3.500 kg. A Agrale trouxe uma nova linha de caminhões – 6.500, 8.700, 10.000 e o médio 14.000 – com motores Euro 5. O destaque, porém, ficou com a italiana Iveco. Ela apresentou a nova geração de caminhões leves, médios e pesados, a Ecoline. E o sucesso foi tanto que a fabricante atingiu a melhor marca da história, ao vender 562 veículos durante os cinco dias do salão de transportes. O campeão de vendas da marca, o leve Iveco Daily, teve o interior redesenhado e agora possui alavanca de câmbio integrada e novo design.

A necessidade de novos caminhos para o trânsito das grandes cidades levou a indústria a apresentar uma grande variedades de soluções para o transporte coletivo. Só a Mercedes exibiu um portfólio de chassis com mais de 20 modelos. A brasileira Marcopolo apresentou o Viale BRT, montado no chassi articulado da Mercedes. O gigante pode chegar a 21 metros de comprimento e, como o nome já diz, está pronto para ser usado no sistema BRT – Bus Rapid Transit, ou Trânsito Rápido de Ônibus, que oferece qualidade de transporte ferroviário eficiente em linhas de ônibus exclusivas. O Rio de Janeiro se prepara para instalar o BRT antes das Olimpíadas e da Copa do Mundo que irá sediar.


A Scania modificou diâmetro e curso dos novos motores que equipam os ônibus da marca, além de aumentar a cilindrada. A Série F, linha de chassis com motor dianteiro, foi atualizada e passará a receber apenas o novo motor de 9 litros. A MAN inovou e lançou, em maio, o primeiro ônibus flex GNV/Diesel.

Outra novidade em 2011 foi o desenvolvimento de motores movidos a etanol. O primeiro modelo foi o extrapesado P270, da Scania. A Iveco também entrou na onda e apresentou o Trakker Bi-Fuel, com motor que permite redução no consumo do óleo diesel pela adoção do etanol, mas o protótipo ainda passará por testes. Na mesma ideia, a MAN mostrou o TGS 33.440, que também utiliza o conceito bi-combustível, igualmente em fase de testes.


Fonte: Auto Press







3 de agosto de 2011

Ônibus Zero Km

Num país com dimensões continentais como o Brasil, onde o principal modal de transporte é rodoviário, o mercado de veículos novos sempre recebeu grandes investimentos dos fabricantes e montadoras. Para o caso específico da produção de ônibus, há a união de dois segmentos industriais; o de fabricantes de chassi – que reúne o motor, eixo e câmbio – e as montadoras de carrocerias, que produzem todo o acabamento. Na primeira parte da reportagem especial sobre ônibus zero quilômetro, vamos enfocar a produção de motores e na segunda parte, que será publicada na próxima edição da revista Fretamento, vamos mostrar o mercado de carrocerias.


Há combinações de motores das principais fábricas internacionais com várias carrocerias de empresas brasileiras e multinacionais que disputam o movimentado mercado brasileiro. Para garantir a preferência do consumidor, as empresas investem pesado em novas tecnologias, automação e materiais para garantir conforto, melhor desempenho e economia.

Existe uma grande variedade de opções para o empresário renovar a frota com veículos novos, que é a melhor alternativa apontada por especialistas, pelo desempenho e custo da manutenção. As novidades nesse mercado são veículos que atendem as exigências de sustentabilidade e preservação ambiental, com motores menos poluentes e com fontes alternativas de combustíveis, como o biodiesel e até motores híbridos, elétricos e a diesel.

O crescimento do mercado de modelos rodoviários

No primeiro semestre desse ano, a produção de ônibus novos no Brasil cresceu 4% em relação ao primeiro semestre de 2010. Os modelos de ônibus rodoviários apresentaram grande crescimento com índice de 27%. Por outro lado, os modelos urbanos tiveram aumento de 0,9% no semestre. Mas a fabricação de ônibus urbanos ainda é bastante superior aos modelos rodoviários.

O crescimento da produção e das exportações de ônibus rodoviários indica um aquecimento do mercado do transporte rodoviário e de fretamento, com empresas ampliando e renovando a frota. No primeiro semestre desse ano foram produzidos 22.066 ônibus, sendo 18.875 urbanos e 3.191 rodoviários. As estatísticas da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), são referentes a produção de chassi de ônibus nacionais, um mercado bastante disputado entre seis grandes empresas: Agrale, Iveco, MAN/Volkswagen, Mercedes-Benz, Scania e Volvo.

Na estatística de ônibus novos licenciados entre janeiro e junho de 2011, o ranking das empresas de chassi está com a Mercedes-Benz em primeiro lugar com 7.082 unidades, sendo 1.157 no mês de junho. A empresa vice-líder é a MAN – Volkswagen Caminhões e Ônibus, que licenciou 5.415 chassis. Em terceiro lugar está a Agrale com 2.219 unidades. Em seguida vem a Iveco com 700 unidades, que foi a empresa que teve o melhor índice de crescimento, registrando 221% de aumento nos licenciamentos em relação ao primeiro semestre de 2010. A MAN/Volkswagen teve o segundo melhor crescimento no período, com 54%. A Volvo também apresentou grande taxa de crescimento na produção, com 42%.

Nas exportações, também foi verificada a tendência de aumento nos modelos rodoviários e queda nos urbanos. Os ônibus rodoviários apresentaram crescimento de 35,4% e as exportações de ônibus urbanos registraram uma queda de -20,4% nos seis primeiros meses de 2011. Mas a venda de ônibus urbanos para o exterior ainda é maior, com 2.518 unidades, sendo que os modelos rodoviários tiveram 1.167 veículos exportados no primeiro semestre de 2011.

Tecnologia e Meio Ambiente

A partir de janeiro de 2012 entra em vigor no Brasil a fase P-7 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), que equivale a norma européia Euro 5 de níveis de emissão de poluentes para motores diesel. O prazo para a adequação tecnológica das empresas foi determinado de acordo com a Política Nacional de Meio Ambiente através de resoluções do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). As empresas desenvolveram motores menos poluentes e mais econômicos.

A MAN Latin America utiliza dois tipos de tecnologia para diminuir a emissão de poluentes em até 60% e redução de 7% de consumo do diesel. Os sistemas desenvolvidos são o SCR (Redução Catalítica Seletiva) e o EGR (Recirculação de Gases e Exaustão, em português). Além da menor emissão de poluentes, o EGR também proporciona menor consumo de combustível, baixo ruído e maior intervalo de manutenção. A tecnologia SCR utiliza o composto líquido Arla 32, à base de uréia e água desmineralizada.


A MAN também iniciou nesse segundo semestre uma parceria com a empresa norte-americana de biotecnologia LS9 para testar o biodiesel UltraClean. O produto é feito através da fermentação de açúcares e durante os testes serão adicionados 5%, 10% e 50% ao diesel comum, até o teste com a propulsão do motor em 100% de biodiesel.

A Mercedes-Benz do Brasil vai aplicar a tecnologia BlueTec 5, já utilizada nos motores europeus, para se adequar ao Proconve P-7. O sistema é utilizado desde 2005 na Europa e já passou por três anos de testes no Brasil para ser disponibilizado a partir de janeiro de 2012 no mercado nacional Segundo a montadora, a BlueTec 5 reduz drasticamente a emissão de poluentes, com menor consumo de combustível e excelente desempenho.


Os efeitos de outras tecnologias secundárias apresentadas pela Mercedes-Benz também refletem na redução de consumo de combustível e como conseqüência, menor poluição. O sistema FleetBoard, de gestão de frota através de computador de bordo, pode reduzir o consumo em até 15%, através do fornecimento de dados para análise do comportamento de motoristas, para diagnósticos remotos de falhas e diminuição de custos de manutenção. As informações também podem ser acessadas em tempo real através de aplicativos para iPhone e iPad.

A Iveco também desenvolve aplicativos para acompanhamento de frota através de celulares. Nesse ano a montadora lançou um aplicativo para aparelhos iPhone com informações úteis para motoristas, como localização de postos de combustível, mapas e rotas rodoviárias. O aplicativo usa as informações de GPS sobre as rodovias e pode calcular os preços de viagens, com as informações de consumo do veículo e de pedágios. Em março a montadora anunciou uma promoção com lançamento do GPS MultiConnect já incluído em alguns modelos de fábrica. O roteirizador tem capacidade de arquivar dados de endereços e programar a melhor rota, caminhos mais fáceis e alternativos e até localização de radares.

Já a marca sueca Volvo anunciou que vai começar a produzir ônibus híbridos no Brasil. O chassi 7700 Hybrid é movido a eletricidade e óleo diesel. O chassi tem a configuração 4×2 e em 2012 será feita uma pré-produção, com a previsão de fabricação de 80 unidades. Segundo a fábrica, a tecnologia híbrida da Volvo proporciona economia de 35% combustível e redução de gases poluentes entre 80% e 90%, em relação aos motores convencionais.

O sistema “híbrido em paralelo” funciona com dois motores, um elétrico, que trabalha em baixas velocidades, e um tradicional a diesel, que só entra em funcionamento acima da velocidade de 20 km. Quando o veículo fica parado momentaneamente no trânsito das cidades, em semáforos, os motores se desligam automaticamente e o motor elétrico volta a funcionar quando o motorista pisa no acelerador.

Outro dispositivo da tecnologia funciona quando o freio é acionado e a energia da desaceleração recarrega as baterias para ser utilizada em aceleração. A Volvo também vai entrar no segmento de ônibus semipesados no Brasil e vai investir R$ 10 milhões para fabricar o chassi B270F, com motor dianteiro. A Volvo investe para disputar o mercado de ônibus com motor dianteiro, que segundo empresa é formado por 60% de veículos urbanos e 40% de fretamento e rodoviário.

A Agrale também pesquisa tecnologia para aproveitamento da energia dos freios e lançou o modelo Hybridus. O sistema de propulsores híbridos, denominado ELFA, foi desenvolvido em parceria com a Siemens e utiliza a energia da frenagem que é armazenada e reutilizada nas partidas. Com essa tecnologia o motor diesel precisa ser ligado somente quando houver a necessidade de maior aceleração. Se houver grande capacidade de armazenamento, o veículo poderá ser usado somente com a energia elétrica. O motor diesel também é independente e pode ser acionado independente da velocidade.


Na busca de energias alternativas e combustíveis menos poluentes para motores de ônibus, a Scania foi uma das pioneiras e há 20 produz motores de ônibus movidos a etanol, baseados na combustão de diesel. A empresa considera atualmente o etanol um dos combustíveis renováveis mais econômicos para utilização urbana. A Scania investe na tecnologia de bicombustíveis, e defende a transição gradual para o biodiesel. Em alguns motores da marca, já é permitido o uso de até 100% de combustível Fama, o biodiesel utilizado em motores diesel a base de éster metílico de ácido graxo.

Liderança do Mercado

A maior parte do mercado brasileiro de ônibus é dominada por duas empresas de origem alemã, a Mercedes-Benz e a Volkswagen, que produzem veículos no Brasil há mais de 50 anos. As empresas juntas dominam mais de 75% do mercado nacional de chassi de ônibus. Segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) em 2010 a Mercedes-Benz teve a participação de 50,23% do mercado brasileiro de ônibus e a Volkswagen registrou 26,36%.

A Mercedes-Benz montou a primeira fábrica no Brasil em 1956 e em 1958 fez o lançamento do primeiro ônibus monobloco do país, o modelo 321H. Em 1966 lançou ônibus monoblocos interurbanos e em 1970 apresentou os modelos com motor traseiro (OH1313) e com motor dianteiro (OG 1313). Já em 1987 desenvolveu um modelo movido a gás natural e em 1998 foi pioneira no lançamento do primeiro chassi com injeção eletrônica no Brasil.

João Luis Garcia é gerente de Produtos da Sambaíba, concessionária da Mercedes-Benz em São Paulo e diz que a fábrica produz grande variedade de modelos para atender as necessidades do maior número de clientes. “É a mais completa linha do mercado, são 18 modelos, desde microônibus até veículos com quatro eixos”. Ela explica que as vendas são fechadas com os clientes que escolhem o chassi e em seguida fecham negócio também com as empresas de carrocerias, que retiram o chassi na fábrica para a montagem do restante do acabamento e depois entregam o produto final ao cliente. João Garcia diz que já estão sendo vendidos os modelos 2011-2012 e que a linha 2012-2012 só estará disponível em janeiro do próximo ano, já com as adequações de redução de poluentes da Fase 7 da resolução do Conama.

A Volkswagen produz automóveis no Brasil desde 1953, época da montagem do primeiro Fusca. Em 1981 surgiu oficialmente a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que garantiu o controle acionário da Chrysler Motors do Brasil, que produzia os caminhões Dodge. Dois meses depois da criação da empresa foi lançado o primeiro caminhão com motor movido a álcool do Brasil. Em 1984 foi lançado o VW 140, primeiro veículo de grande porte movido a gás metano/biogás.

O primeiro chassi de ônibus foi produzido em 1993, chamado Volksbus 16.180. Em 1996 foi inaugurada a fábrica de Resende-RJ para a produção de caminhões e ônibus em um sistema de Consórcio Modular que reúne os fornecedores na mesma linha de montagem. Atualmente são produzidos nove modelos de chassi de ônibus, que são exportados para mais 30 países da América Latina, África e Oriente Médio.

O supervisor de Marketing do Produto / Ônibus da MAN Latin America – Caminhões e Ônibus Volkswagen, Roberto Pavan, respondeu algumas perguntas sobre as características de mercado e produção e estratégias da empresas em busca da liderança:

Como a Volkswagen se situa no mercado de ônibus novos e quais as estratégias para o crescimento?
A MAN Latin America, fabricante dos Caminhões e Ônibus Volkswagen, é vice-líder no segmento de ônibus. Desde 1993, ano de nossa entrada no segmento de ônibus, pautamos nossas atividades em dois pilares principais: Tecnologia e Parceria com o cliente. Como exemplo disso, ressaltamos nosso lineup, um dos mais completos do segmento tendo chassis desde micro-ônibus até veículos rodoviários e também nosso pós-venda. Hoje, como parte de um dos maiores fabricantes mundiais de veículos comerciais, temos acesso a novas tecnologias, o que muito em breve nos proporcionará uma linha ainda mais completa.

Como funciona a produção de ônibus, a empresa fornece os motores para a montagem em outras empresas, ou faz o produto completo?
O processo de venda de ônibus no Brasil tem certas peculiaridades o que o tornam bem diferente quando comparado a países da Europa por exemplo. Enquanto na Europa as montadoras são responsáveis pela fabricação do veículo completo, seja na própria fábrica ou através de parceira com outras empresas, no Brasil, as montadoras são responsáveis apenas pela fabricação e venda de chassis, que se constituem basicamente de longarinas, eixos e trem de força (motor, transmissão e eixo trativo). No Brasil, seguimos as características de mercado e somos responsáveis apenas pela fabricação e venda do chassi, porém vale ressaltar que todos os nossos produtos são desenvolvidos colhendo opiniões de vários “players” do segmento, inclusive fabricantes de carrocerias.

Com está o mercado de ônibus novos atualmente em comparação com anos anteriores?
O mercado de ônibus está bastante aquecido e deve continuar assim pelo menos até o final desse ano. O volume de vendas que até 2005 mantinha uma média anual em torno de 16.000 unidades iniciou um crescimento contínuo a partir de 2006 e fechou o ano de 2010 com 31.000 unidades vendidas. Em 2009, o efeito da crise afetou levemente o volume de vendas, porém prontamente recuperado no ano seguinte. A previsão desse ano é que o mercado chegue a 35.000 unidades.

Sobre os preços, quais as tendências, de queda ou aumento? Há condições especiais para empresas de transportes, como no segmento de fretamento, por exemplo?
Como em todos os produtos, incremento em tecnologia inevitavelmente significa aumento nos preços. Em 2012, entrará em vigor a Fase P-7 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), equivalente a norma européia Euro 5, que define os limites de emissões de poluentes para motores do ciclo diesel e para atender aos novos limites será necessária a utilização de dois tipos de tecnologia: EGR e SCR. Independente da tecnologia a ser empregada no veículo é esperado um acréscimo de 10% a 20% no preço em comparação com os modelos atuais. No Brasil, quase que a totalidade dos ônibus é adquirida via Finame, que oferece as mesmas condições para qualquer tipo de operação.

Quais os principais lançamentos e as novidades nesse segmento (veículos mais econômicos, desempenho, menos poluentes, etc.)?
Estamos na fase final do trabalho iniciado em 2008 de desenvolvimento de produtos que receberão soluções tecnológicas para atender às exigências dos novos limites de emissões de poluentes. Todos os modelos foram intensivamente testados e atendem os níveis de NOx e Material Particulado especificadas pelo programa Proconve P-7 (Euro 5). Para oferecer veículos que tragam vantagens para a operação e não só o aumento de custo, devido aos novos motores que reduzem a poluição, trabalhamos nossos produtos para ter melhorias em desempenho e em custos operacionais.

Fonte: Sinfrecar

7 de abril de 2011

Top 10: Carros chineses que invadiram o Brasil

Quando os carros chineses surgiram no meio da década passada, a promessa era de oferecer produtos baratos e bem equipados, uma lacuna que faltava ser preenchida no mercado brasileiro. Os carros de baixo custo aqui, até então, não vinham nem com aquecedor de ar ou desembaçador do vidro traseiro. Até que os chineses chegaram para mudar isso.


10 – Effa M100
Effa M100
O Effa M100 foi um dos primeiros chineses a chegar às lojas brasileiras e ocupou por um tempo o posto de carro mais barato do País, desbancando o Fiat Mille, e isso já com ar condicionado, rodas de liga-leve, vidros e travas elétricos de série. O motor, no entanto, é um arcaico bloco de 1,0 litro que rende apenas 47 cv de potência sendo movido apenas a gasolina. Custando R$ 25.980, o compacto conseguiu emplacar apenas 239 unidades até março, segundo os números da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

9 – Lifan 620
Lifan 620
O sedã médio tem a árdua missão de participar de um segmento povoado por Honda Civic, Toyota Corolla e Chevrolet Vectra, entre outros. Só que o segredo do chinês está no preço, R$ 39.980, já trazendo freios ABS, airbag duplo, acendimento automático dos faróis, sistema de som com controle no volante e entrada USB e um motor de 1,6 litro de 106 cv de potência. Mesmo assim, amarga a 13ª posição do ranking da categoria com 194 emplacamentos em 2011, menos do que o descontinuado Volkswagen Bora, por exemplo.

8 – Chery Face
Chery Face
Na onda dos “compacto-premium”, a marca resolveu entrar com o Face que custa R$ 32.990 e já tem ar condicionado, direção hidráulica, airbag duplo e rodas de liga-leve. O motor de 1,3 litro rende 84 cv de potência. Os atributos foram suficientes para que as vendas alcançassem 1.100 unidades, um pouco menos da metade do rival Volkswagen Polo.

7 – Jac J3 Turin
Jac J3 Turin
A versão sedã do J3 foi lançada na semana passada junto com o hatch. Ele traz todos os atributos e defeitos do dois-volumes, mas com um porta-malas de 490 litros. Vem para brigar com Ford New Fiesta e Honda City custando R$ 39.900. No seu primeiro mês de vendas, já emplacou 131 unidades, próximo a um quarto do já estabelecido Renault Symbol.

6 – Chery Cielo Sedan
Chery Cielo Sedan
O Cielo Sedan é concorrente do Lifan 620, mas com um pouquinho menos de sucesso, ao contrário de sua versão hatch. O Chery emplacou 125 carros em 2011, perdendo para o Peugeot 307 que acabou de sair de linha. Por R$ 43.990, o três volumes tem motor de 1,6 litro de 119 cv de potência e porta-malas de 395 litros.

5 – Hafei Towner
Hafei Towner
O comercial leve da Hafei aproveitou uma brecha na lei de patentes e voltou com o nome Towner à ativa. A nomenclatura fez sucesso no início dos anos 90 quando a Asia ainda existia e vendia a van no Brasil. Hoje a Towner continua sendo um monovolume pequeno com versões para carga e passageiros. Os preços começam em R$ 26.990 e o motor é sempre o mesmo de 1,0 litro com 48 cv de potência.

4 – Chery Tiggo
Chery Tiggo
O SUV pequeno veio para beliscar as vendas do Ford EcoSport custando R$ 52.990 e já oferecendo motor de 2,0 litros, freios ABS, airbag duplo, rodas de 16 polegadas e CD player com porta USB. E efeito nas vendas ainda é pequeno, com 957 unidades emplacadas contra as 9.008 do rival da Ford, mas o suficiente para deixar o chinês à frente de Suzuki Grand Vitara (903) e Toyota RAV4 (888).

3 – Lifan 320
Lifan 320
O Lifan 320 talvez seja o exemplo mais claro da estratégia de algumas marcas chinesas para ganhar clientes. O carro é um clone do MINI Cooper e é vendido até com detalhes que remetem ao pequeno inglês, como o teto pintado em cor diferente da carroceria e faixas longitudinais. Mas as semelhanças param por aí. O chinês tem quatro portas, opção ausente no MINI, e motor de 1,3 litro com 88 cv de potência ao custo de R$ 29.980 (o MINI não sai por menos de R$ 80.750. Mesmo custando mais, foram vendidas 604 unidades do Cooper, contra as 498 do seu sósia.

2 – Chery Cielo
Chery Cielo
O hatch médio vai na contra-mão do Lifan 320 e mostrou a cara dos novos chineses. O Cielo foi feito com design exclusivo do estúdio Pininfarina e busca disputar mercado com o mesmo motor de 1,6 litro do sedã de 119 cv de potência. O preço parte de R$ 43.990 e já foram emplacados 409 carros neste ano, ficando abaixo somente das marcas tradicionais no segmento, como Hyundai, Ford, Chevrolet e Volkswagen.

1 – Jac J3
Jac J3
O lançamento do J3 foi, até agora, o de maior impacto. Em apenas um mês de vendas, já foram emplacadas 327 unidades graças a uma intensa campanha publicitária. Nela, é dito que o hatch custa R$ 37.900 e vem completo, já com ar condicionado, airbag duplo, freios ABS, rodas de liga-leve e motor de 1,4 litro com comando de válvulas variável para admissão e que rende 108 cv de potência. Outro mote da propaganda é a inédita garantia de seis anos. Se vai brigar pra valer pelas primeiras posições do ranking de vendas, só o tempo para dizer.